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Ah, os vampiros… como um véu que encobre a linha tênue entre o mundo dos vivos e dos mortos, eles nos atraem há séculos com suas sombras misteriosas, suas promessas de eternidade e, acima de tudo, com um desejo insaciável de sangue. A literatura sobre vampiros, desde Drácula de Bram Stoker até os mais modernos relatos, sempre foi um terreno fértil para explorações metafóricas, e as teorias conspiratórias que se entrelaçam com sua existência são um prato cheio para o imaginário coletivo. Mas os vampiros, com suas almas perdidas e corpos imortais, não estão sozinhos nesse desejo de escapar das garras da morte. Eles são apenas o reflexo do que a humanidade sempre procurou: a imortalidade.

Na mitologia grega, a ambrosia era o néctar dos deuses, prometendo-lhes juventude eterna e imortalidade. Como um elixir mágico, ela transcendia os limites da mortalidade, sendo o símbolo máximo da eterna busca do homem por algo além da sua condição finita. Hoje, a ambrosia moderna não é mais uma fruta divina, mas sim um recurso biológico – o sangue jovem. Se antes os deuses dos panteões antigos eram os únicos imortais, agora, cientistas e bilionários estão dando seus passos em direção a uma juventude eterna que poderia finalmente vencer o mais cruel dos inimigos: o tempo.

🩸🔬 Ambrosia Moderna: Ciência do Rejuvenescimento e Transfusões de Sangue Jovem

A busca pela imortalidade encontrou um novo pano de fundo científico nas últimas décadas, onde a medicina moderna vem flertando com o que antes era considerado ficção científica. Estamos falando de transfusões de sangue jovem — um campo de pesquisa que visa explorar a biologia regenerativa e os efeitos de rejuvenescimento associados ao sangue fresco, particularmente o plasma sanguíneo de jovens. Esses estudos se baseiam na ideia de que o sangue de um organismo jovem tem o poder de revitalizar o corpo envelhecido e combater os sinais da idade.

Fundada por Jesse Karmazin em 2016, a Ambrosia, com laboratórios na Califórnia e na Flórida, oferece plasma de pessoas mais jovens a clientes dispostos a pagar US$ 8 mil, utilizando material de bancos de sangue de hospitais especializados em trauma (Foto: SPL)

Empresas como a Ambrosia, que realizaram transfusões de plasma jovem para pacientes de mais de 35 anos, se tornaram um símbolo desse campo emergente, desafiando não apenas a ciência, mas a própria ética da medicina. O conceito é simples: ao fornecer o sangue de um jovem a um idoso, seria possível reparar os danos celulares que vêm com o envelhecimento. Mas, o que está em jogo aqui vai além do corpo humano — estamos falando de uma corrida contra a morte que, de acordo com muitos cientistas e investidores, pode oferecer um avanço civilizacional sem precedentes.

Porém, a promessa de rejuvenescimento não é uma exclusividade das pequenas empresas de biotecnologia. Grandes gigantes como o Google estão profundamente envolvidos no campo da longevidade, com sua Calico investindo pesadamente em pesquisa genética e biotecnologia para combater o envelhecimento humano. Além disso, empresas como Unity Biotechnology e a Methuselah Foundation visam não apenas o rejuvenescimento, mas a erradicação das doenças associadas ao envelhecimento. O uso do sangue jovem, como uma verdadeira ambrosia moderna, tem como objetivo reverter o processo de envelhecimento e permitir uma vida mais longa e saudável.

Como se o mito ganhasse laboratório, recentemente, em 30 de agosto de 2025, um estudo reportou que uma proteína presente no sangue jovem retarda o envelhecimento e aumenta a expectativa de vida quando administrada em ratos mais velhos. O jornal O Globo destacou em sua manchete: “Proteína de sangue jovem retarda envelhecimento e aumenta a expectativa de vida quando administrada em mais velhos”. O achado abre caminho para tratamentos que podem estender não apenas os anos, mas os anos de saúde da vida humana, trazendo a ambrosia do mito para os laboratórios modernos.

💰🧬 Peter Thiel: Investindo na Imortalidade

A figura do investidor Peter Thiel surge como um pilar fundamental dessa busca pela imortalidade. Conhecido por seu apoio a inovações disruptivas, Thiel não esconde seu fascínio pela possibilidade de vencer a morte. Sua visão sobre o futuro humano está intrinsicamente ligada ao investimento em biotecnologia como um meio de prolongar a vida. Thiel, que é um dos principais financiadores de startups de longevidade, vê a luta contra a morte como uma oportunidade para transformar o mundo e criar uma sociedade onde os mais ricos possam viver indefinidamente.

Peter Thiel, criador do PayPal e investidor do Facebook, aposta na longevidade e na liberdade por meio da Thiel Foundation. Entre seus projetos está a SENS Research Foundation, que busca combater os efeitos do envelhecimento. Thiel fala no The Cambridge Union em 8 de maio de 2024. (Foto: Nordin Catic / Getty Images / União de Cambridge)

Sua contribuição para o campo inclui investimentos em empresas como a Unity Biotechnology, que está desenvolvendo terapias genéticas para curar doenças relacionadas à idade, e a Methuselah Foundation, focada em pesquisas para a longevidade humana. A ambição de Thiel vai além de um simples desejo de extensão da vida — ele almeja a imortalidade como algo que pode ser alcançado por meio de avanços científicos.

Trecho do vídeo: de 56:25 a 1:23:23

Assistir vídeo completo no YouTube

Thiel também é associado à Calico, uma iniciativa do Google dedicada a prolongar a vida humana. Em várias entrevistas, afirmou que vencer a morte é uma das maiores oportunidades do século XXI. Apesar do fascínio, essas declarações geram debate: enquanto alguns veem o investimento em biotecnologia como uma salvação, outros alertam que esse tipo de avanço pode reforçar desigualdades, criando uma sociedade onde apenas os mais poderosos desfrutam dos benefícios da ciência.

🧛‍♀️💉 A Imortalidade: Sangue Jovem e Conspiração

A imortalidade tem o potencial de transformar a sociedade em algo completamente novo — ou algo que talvez não desejemos. O sangue jovem não é apenas um recurso biológico; é também uma metáfora para o poder. Imagine um futuro em que o acesso à juventude eterna não é mais questão de natureza, mas de recursos e privilégio. O sangue de um jovem torna-se, assim, uma mercadoria nas mãos de quem pode pagar.

Jaron Lanier, pai da realidade virtual e uma das vozes mais brilhantes da tecnologia, rejeita a cultura do Vale do Silício e compara redes sociais a drogas. Em Quem é o dono do futuro?, ele faz um acerto de contas visionário com a concentração tóxica de dinheiro e poder nas nossas redes digitais. (Foto: Getty Images)

O livro Quem é o Dono do Futuro? de Jaron Lanier oferece uma reflexão crucial sobre a distribuição desigual do poder. Lanier alerta que, enquanto grandes corporações controlam novas tecnologias — de inteligência artificial a biotecnologia — a sociedade aproxima-se de uma era de desigualdade radical. Nesse futuro, o acesso ao rejuvenescimento seria exclusivo às elites, criando uma nova classe de imortais, enquanto o restante da população permaneceria à margem.

A questão perturbadora é: ao buscar desesperadamente a imortalidade, estamos criando um sistema de controle ainda mais opressor? O sangue jovem, essa ambrosia moderna, não é apenas riqueza — é dominação.

🎸🙏 Pecadores: Fé, Blues e a Resistência à Morte

O filme Pecadores surge como crítica à busca pela imortalidade. Em meio ao blues e à , ele nos apresenta uma poderosa metáfora da aceitação da morte. Os personagens enfrentam a finitude humana seja pela redenção espiritual, seja pela aceitação da fragilidade. O blues, melancólico e resistente, simboliza a luta contra a morte, mas também a sabedoria de viver plenamente até o último suspiro.

Michael B. Jordan vive os gêmeos Smoke e Stack em Pecadores, retornando à cidade natal para reconstruir suas vidas, mas confrontando uma força maligna que desperta traumas e mitos sombrios. Dirigido por Ryan Coogler, o thriller sobrenatural mistura mistério e tensão a cada cena. (Foto: 6 de abril de 2025 | Warner Bros.)

Nesse contexto, a busca pela imortalidade torna-se uma distopia disfarçada de progresso. O filme nos convida a refletir sobre o preço que pagamos para prolongar a vida — e o que podemos perder nesse caminho. Aceitar a morte não é resignação, mas viver com intensidade e consciência.

A ilusão de prolongar a vida indefinidamente desvia o foco do que realmente importa: encontrar sentido enquanto estamos vivos, pois a morte é inevitável, e a verdadeira resistência não está em fugir dela, mas em viver com propósito.

O filme, com seu olhar sobre a morte e o blues como resistência, nos leva a questionar: até que ponto a busca pela imortalidade vale o risco de perder nossa humanidade? A morte, embora temida, é parte de quem somos. Aceitar nossa finitude pode ser a maior forma de resistência. Buscar a vida eterna é a fantasia tecnológica que desvia do que realmente importa: viver intensamente e com propósito enquanto o tempo nos é dado.

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