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Na noite de 28 de julho, o Noroeste do Rio Grande do Sul foi atingido por temporais. Um tornado passou por Giruá, Sete de Setembro e Senador Salgado Filho. No dia seguinte, São Paulo recebeu alerta severo para rajadas que poderiam chegar a 90 km/h; seis voos foram desviados de Congonhas. Em Ribeirão Preto, a tempestade da semana anterior havia provocado mais de 440 ocorrências, uma morte e uma rajada de 121,7 km/h registrada pelo Inmet. Do outro lado do planeta, o Japão enfrentava um terremoto de magnitude 7,1 em Kumamoto.
Eventos distintos. Sistemas distintos. Ainda assim, quando aparecem no mesmo noticiário, surge uma pergunta inevitável: estamos diante de uma sequência de extremos sem relação entre si ou de um padrão maior?
Há um dado que torna a pergunta mais intrigante: o El Niño de 2026 foi confirmado, com alta probabilidade de um episódio muito forte. A ciência explica parte do cenário. As teorias conspiratórias tentam preencher o restante.
🌊 O El Niño que Colocou 2026 Sob Suspeita
O ponto de partida é concreto. Na terça-feira (28), uma tempestade severa atingiu o Noroeste gaúcho e produziu um tornado em Giruá, Sete de Setembro e Senador Salgado Filho. Sete pessoas ficaram feridas. Em São Paulo, um alerta severo foi emitido para a capital e a Grande São Paulo. Em Ribeirão Preto, a tempestade de 24 de julho deixou uma morte, duas pessoas feridas e mais de 440 ocorrências.

Tudo começou com uma tempestade. Mas não era uma tempestade qualquer. Uma supercélula se formou no Rio Grande do Sul e encontrou na atmosfera os ingredientes para produzir um tornado destrutivo. Enquanto o fenômeno atingia Senador Salgado Filho, outros extremos também surgiam no mapa. Coincidência meteorológica, consequência de um cenário climático mais instável ou apenas o primeiro capítulo de uma sequência que parece maior do que deveria? 📸 Redes Sociais
Frentes frias, linhas de instabilidade, supercélulas e cisalhamento do vento podem produzir tempestades violentas. O que torna 2026 especialmente interessante é o pano de fundo oceânico.
Em junho, o Painel El Niño, formado por INPE, INMET, Cemaden, ANA, SGB e Defesa Civil, confirmou a configuração do fenômeno. Os modelos indicaram mais de 90% de probabilidade de permanência até pelo menos o início de 2027 e alta probabilidade de um El Niño muito forte, definido pelo boletim como anomalias superiores a 2°C na temperatura da superfície do Pacífico Equatorial entre a primavera e o verão.
Gilvan Sampaio, do INPE, vinha defendendo cautela diante da incerteza das projeções. Já a meteorologista Estael Sias, da MetSul, adotou uma leitura mais contundente: em julho, afirmou que o aquecimento oceânico atingia níveis excepcionais para a época e que o episódio poderia se tornar um dos mais fortes da era moderna.
Não há contradição necessária. Existe uma diferença entre reconhecer o fenômeno, estimar sua intensidade e projetar seu pico. “Super El Niño” também não é uma categoria oficial de alerta, mas uma expressão utilizada para descrever uma intensidade excepcional.
O dado mais importante é outro: o fenômeno é real, seus impactos regionais são conhecidos e os modelos continuam sendo atualizados.
🌋 O Terremoto Japonês e a Velha Hipótese da Arma Climática
Se o El Niño ajuda a modificar padrões de chuva, temperatura e circulação atmosférica, ele não explica automaticamente um terremoto. Em 28 de julho, um sismo de magnitude 7,1 atingiu a região de Kumamoto, em Kyushu, no Japão. No dia seguinte, o balanço apontava 13 mortos, destruição de estruturas, interrupções de energia, estradas danificadas e mais de cem réplicas.

Enquanto tempestades violentas atingiam o Brasil, a terra tremia do outro lado do planeta. Um sismo de magnitude 7,1 atingiu Kumamoto, no Japão, deixando mortos, danos estruturais e mais de cem réplicas. O fenômeno tem uma explicação geológica conhecida: o Japão está no Cinturão de Fogo do Pacífico. Ainda assim, quando diferentes extremos ocupam o mesmo mapa, uma pergunta permanece: estamos diante de coincidências ou de um padrão que ainda não compreendemos? 📸 Kyodo via AP
O Japão está situado no Cinturão de Fogo do Pacífico, uma área marcada pela interação entre placas tectônicas e intensa atividade sísmica. Para o sismólogo Marcelo Assumpção, do Centro de Sismologia da USP, terremotos são fenômenos associados à dinâmica das placas, e não existe método seguro para prever exatamente quando e onde ocorrerá um grande sismo.
É justamente essa imprevisibilidade que abre espaço para uma das teorias conspiratórias mais conhecidas: HAARP.


