
Imagem gerada por IA.
Algo se move no tabuleiro global — e não é em silêncio. Em meio a transações financeiras que dispensam o dólar, investimentos quase invisíveis no interior do Brasil e uma guerra sustentada por chips, cabos e silêncio diplomático, a China vai desenhando, passo a passo, um novo tipo de império. O que antes era percebido como um parceiro comercial distante agora habita nossas maquininhas de cartão, os portos onde grãos embarcam e até mesmo as fábricas de carros elétricos.
Mas a pergunta central não é o “o quê”, e sim o “por quê”.
É apenas integração global? Ou estamos diante de uma reconfiguração silenciosa de poder, onde o futuro se escreve com contratos, chips e silêncios?
🌾 China no Campo: Como o País Está Investindo em Terras Raras e Agrícolas no Brasil
Nos anos 2000, empresas chinesas como a Chongqing Grain Group e a Shanghai Pengxin voltaram suas atenções ao solo fértil do Brasil. Inicialmente, a corrida era por propriedades rurais. Mas com a imposição de limites legais à compra de terras por estrangeiros, o movimento ganhou nova forma. Ao invés da terra, miraram a infraestrutura: portos, silos, ferrovias e logística. Estratégia discreta, mas eficaz. Hoje, empresas como a COFCO já operam no Porto de Santos, enquanto outras escoam grãos pelo Arco Norte.
Porém, o que passa quase despercebido são os compostos de terras raras. Em 2025, o Brasil exportou US$ 6,7 milhões desses materiais para a China — sete vezes mais que no ano anterior. Ainda parece pouco, mas sinaliza o início de uma dependência: o Brasil detém a segunda maior reserva de terras raras do planeta, mas refina quase nada. A China, por outro lado, domina mais de 90% da capacidade global de processamento.
Enquanto ONGs alertam para os impactos ambientais e sociais no Cerrado, o preço das terras dispara. Estaria o Brasil, mais uma vez, exportando riqueza sem controle sobre o destino final?
Se a logística, a tecnologia e o processamento estão do outro lado do mundo, o que nos resta além do buraco no solo?
🚗 De Maquininhas a Carros Elétricos: a Estratégia Chinesa Para Dominar o Consumo no Brasil
No ecossistema financeiro brasileiro, Visa e Mastercard sempre reinaram absolutas. Mas a partir de agosto de 2025, uma nova peça entra em cena: a UnionPay. É mais que uma bandeira de cartão — é um vetor de estratégia estatal.
A UnionPay, gigante chinesa, inicia sua operação no Brasil em parceria com a fintech Left, trazendo tarifas reduzidas, QR Codes, biometria e integração com o Pix. Na superfície, eficiência. Nos bastidores, geopolítica.
O ponto-chave? As transações podem ser processadas via CIPS, sistema chinês que substitui o SWIFT e dribla a dependência do dólar.
📡 Em outras palavras: é como se uma nova artéria financeira estivesse sendo implantada no coração do nosso sistema bancário — pulsando em mandarim.
Enquanto isso, a BYD ergue sua fábrica de carros elétricos em Camaçari (BA), prometendo R$ 5,5 bilhões em investimentos e 20 mil empregos. Mas nem tudo brilha como lítio polido: 163 trabalhadores chineses foram encontrados em condições análogas à escravidão. Vistos vencidos, passaportes retidos, jornada exaustiva.
O futuro verde chegou, mas atravessou um corredor escuro.
Mesmo com o escândalo, a estratégia não recua. Mais de 1.500 caixas eletrônicos já estão adaptados à UnionPay. Redes como Stone e Saque e Pague estão embarcando. A meta é clara: dominar 70% do varejo brasileiro até dezembro.
A pergunta que fica: isso é inovação ou colonização digital silenciosa?
🤝 Aliança China-Rússia: Parceria Econômica que Redefine os Polos de Poder Mundial
Quando Xi Jinping e Vladimir Putin firmaram, em fevereiro de 2022, a chamada “parceria sem limites”, poucos imaginaram o quão literal ela se tornaria. Hoje, é a espinha dorsal de uma reconfiguração global. A China abastece a Rússia com carros, tecnologia e maquinário industrial; em troca, recebe energia a preços generosos e amplia sua influência geopolítica.
O comércio entre os dois países atingiu US$ 240 bilhões em 2023. E por trás dos números, estão os silêncios cúmplices: drones com uso dual, peças eletrônicas, munições. Nada é oficialmente militar, mas tudo é funcional. Assim, mesmo com sanções ocidentais, a campanha russa na Ucrânia segue alimentada.
A assimetria da parceria é evidente: a Rússia depende; a China controla. Enquanto Moscou se equilibra à beira do colapso, Pequim age com o pragmatismo de quem sabe que a influência não se conquista mais com tanques, mas com semicondutores.
Pequim, ao mesmo tempo, insiste no papel de mediadora: apresentou uma proposta de paz, fala em soberania e evita criticar a ocupação da Crimeia. É uma neutralidade que caminha como pragmatismo e soa como conivência.
Fora dos palcos da ONU, o que se vê é outra coisa: transações ocultas por Hong Kong e Emirados Árabes mantêm o arsenal fluindo.
A aliança entre China e Rússia não é apenas simbólica; é técnica, estratégica e silenciosamente eficaz. A guerra é visível. Mas a engrenagem que a move é feita de chips chineses e acordos opacos.
🎬 O Relatório: o Filme Que Revela Como os Sistemas Escondem a Verdade do Público
E se a verdade coubesse em 6.700 páginas que quase ninguém leu? O Relatório (The Report, 2019) não é apenas um drama sobre a burocracia americana. É um mergulho tenso no abismo entre idealismo e sistema, onde a informação não liberta — ela pesa.
Adam Driver encarna Daniel J. Jones, assessor da senadora Dianne Feinstein (Annette Bening), que investiga o obscuro programa de interrogatório da CIA após o 11 de Setembro.
O que descobre é chocante: uso de tortura, privação de sono, waterboarding, sons insuportáveis, uso de cães. E mais: nenhum resultado concreto foi obtido.
O problema não era só ético. Era também funcional.
Mas o verdadeiro vilão não é um personagem. É o sistema. As reuniões, os embargos, as resistências. A lentidão com que a verdade emerge. Driver entrega uma performance contida, mas pulsante. Bening equilibra com firmeza e tensão. Juntos, conduzem um thriller sem tiroteios, mas repleto de explosões morais.
Críticos compararam o filme a Spotlight e Todos os Homens do Presidente. Outros acharam lento. Mas talvez essa seja a força da obra: mostrar que a verdade não surge com holofotes, mas com resiliência e papel timbrado.
O Relatório é menos sobre o passado e mais sobre o presente: quantas verdades ainda estão presas em pastas confidenciais, protegidas por silêncios institucionais?
E quem se beneficia quando elas não são ditas?
…
Em 1989, o mundo assistiu ao massacre da Praça da Paz Celestial. Na China, ele não existe mais. Foi apagado das redes, dos livros, da memória oficial. Censura e reprogramação histórica tornaram-se ferramentas de controle tão eficazes quanto qualquer tanque.
O Relatório nos lembra que não é o fato em si que muda o mundo, mas a disposição de contá-lo. E se o Brasil está sendo atravessado por redes, contratos e tecnologias externas, também está sendo reprogramado. Porque quem controla os dados, os meios e os fluxos também molda a narrativa.
A pergunta final é simples: quando o sistema for todo estrangeiro e o silêncio mais valioso que a memória, o que vai sobrar da nossa história?
Talvez apenas a parte que nos deixarem lembrar.
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