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Às quatro da manhã, um C-17 americano pousou em Vnukovo. Não havia anúncio, coletiva ou agenda pública. O avião vinha de Riga e sairia de Moscou poucas horas depois. Naquele intervalo, porém, John Ratcliffe, diretor da CIA, esteve na capital russa para reuniões que Washington não explicou.

No mesmo período, os Estados Unidos pediram à Ucrânia que evitasse ataques contra Moscou e São Petersburgo. No dia seguinte, o Kremlin confirmou o essencial: Ratcliffe encontrou autoridades dos serviços de inteligência russos; Vladimir Putin não participou, mas recebeu um relato sobre o resultado. A informação parecia encerrar uma dúvida e criar outra.

O que uma conversa entre CIA e inteligência russa precisava resolver naquele momento? Ucrânia? Irã? Prisioneiros? Uma possível escalada? E por que, semanas antes, a morte de Lindsey Graham, após uma viagem a Kiev, havia provocado teorias sobre uma possível conspiração internacional? Os fatos são poucos. As perguntas, muitas.

✈️ O Avião, o Silêncio e a Confirmação

A viagem de John Ratcliffe começou como uma informação difícil de confirmar e terminou como um dos movimentos de inteligência mais incomuns da semana. Dados públicos de rastreamento mostraram um C-17A Globemaster III, aeronave de transporte pesado da Força Aérea americana, saindo da região de Washington, passando por Riga e seguindo para Moscou. O avião permaneceu algumas horas na capital russa e depois deixou o país. O Washington Post destacou que esse tipo de aeronave pode transportar veículos especializados, equipamentos eletrônicos e pessoal de apoio para missões sensíveis. A CIA, o Pentágono e a Casa Branca não anunciaram a viagem nem esclareceram sua finalidade.

Um voo militar americano para Moscou já seria incomum. Mas havia um detalhe ainda mais intrigante: a bordo estava o diretor da CIA. John Ratcliffe chegou à capital russa nesta terça-feira em uma viagem que não havia sido anunciada publicamente. A última visita conhecida de um chefe da agência ocorreu em novembro de 2021, quando Washington tentava avaliar os preparativos russos para a guerra na Ucrânia. Agora, Ratcliffe retorna para conversar com a inteligência russa. Coincidência diplomática ou sinal de algo maior acontecendo nos bastidores?
📸 Força Aérea dos EUA

No primeiro momento, a ausência de informações alimentou a hipótese de uma missão diplomática extraordinária. A confirmação posterior tornou o episódio ainda mais relevante. Em 26 de agosto, o Kremlin informou que Ratcliffe havia mantido conversas com autoridades dos serviços de inteligência russos. Putin não participou das reuniões, mas foi informado sobre seus resultados. Dmitry Peskov não revelou os assuntos discutidos e afirmou que contatos entre os serviços continuam mesmo durante períodos de forte tensão.

Isso muda o centro da história. Não se trata mais de imaginar se o diretor da CIA encontrou Putin. A resposta oficial é não. A questão é descobrir qual canal de inteligência foi ativado e por quê. A viagem ocorreu enquanto a guerra Rússia-Ucrânia se intensifica, as negociações permanecem travadas e Washington enfrenta simultaneamente a crise com o Irã. O RFE/RL reuniu justamente essas três possibilidades: Ucrânia, Irã e assuntos de segurança tratados diretamente entre os serviços.

Há ainda um detalhe que reforça a excepcionalidade do episódio. Relatos indicaram que Washington pediu a Kiev que evitasse ataques contra Moscou e São Petersburgo durante a permanência da delegação americana. Isso não prova uma negociação secreta, mas sugere que a Casa Branca queria preservar uma janela de segurança para uma missão considerada sensível.

🕵🏻‍♂️ Moscou, Teerã e o Canal da Inteligência

A hipótese mais imediata leva à Ucrânia. O último diretor da CIA conhecido por viajar a Moscou havia sido William Burns, em novembro de 2021. Na ocasião, Burns se reuniu com Vladimir Putin e transmitiu advertências americanas sobre os preparativos russos para uma possível invasão. Meses depois, a Rússia lançou a invasão em larga escala. A comparação não significa que Ratcliffe esteja diante de uma repetição daquele cenário, mas explica por que sua presença em Moscou recebeu tanta atenção.

Em novembro de 2021, a CIA percebeu sinais que Washington não podia ignorar. Joe Biden enviou Bill Burns a Moscou para alertar o Kremlin de que os Estados Unidos acompanhavam a movimentação de tropas russas na fronteira com a Ucrânia. Pouco mais de três meses depois, a invasão em larga escala começaria. Agora, John Ratcliffe realiza uma nova viagem à Rússia, novamente cercada de silêncio. O paralelo histórico termina aí — ou há algo que ainda não sabemos?
📸 Drew Angerer/Getty Images via AFP

Hoje, porém, existe uma diferença decisiva: Ratcliffe conversou com os serviços de inteligência, não com Putin. Isso pode indicar uma tentativa de preservar um canal operacional enquanto os canais diplomáticos permanecem bloqueados. Serviços de inteligência costumam discutir temas que exigem sigilo maior do que uma negociação convencional: ameaças, prisioneiros, operações, avaliação de capacidades e sinais de escalada. O RFE/RL registrou, entre as possibilidades levantadas por especialistas, uma tentativa americana de pressionar Moscou a encerrar a guerra ou de transmitir uma advertência sobre ações futuras.

A segunda linha leva ao Irã. A Rússia é um parceiro estratégico de Teerã, enquanto Washington acusa Moscou de ter fornecido apoio que pode aumentar a capacidade iraniana de atingir forças americanas. O Washington Post informou que a Rússia teria fornecido inteligência de localização de ativos militares dos EUA na região. A visita ocorreu um dia depois de o secretário do Tesouro americano anunciar uma campanha de pressão econômica contra o Irã.

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Sabe aquela sensação de que nem tudo que nos dizem é a verdade completa? Eu sinto isso há anos. Por isso, criei o Conspira Café — um refúgio onde posso dividir com você minhas dúvidas, descobertas e pensamentos mais inquietos. Aqui, escrevo sobre conspirações, segredos escondidos nas entrelinhas e teorias que muita gente evita discutir. Nada de rótulos ou certezas absolutas. Apenas a vontade de entender o que pode estar por trás da cortina.

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