In partnership with

Imagem gerada por IA.

O café estava quase vazio, exceto por um homem que deslizava os dedos sobre a tela do celular como se buscasse respostas escondidas em notificações incessantes. Cada alerta parecia uma peça de um quebra-cabeça maior: tiroteios, escândalos, protestos. Um título chamava atenção mais do que os outros — um evento universitário interrompido por um assassinato inesperado. Ao lado, uma imagem inquietante: um livro publicado um dia antes descrevia o crime com detalhes quase proféticos.

Ele piscou, tentando distinguir coincidência de orquestração. Enquanto o aroma de café queimado impregnava o ar, mais mensagens surgiam, relatando mortes, prisões e teorias que se enroscavam como fios invisíveis na mente coletiva. Ali, entre goles mornos e manchetes digitais, percebeu que a vida fora da tela não era menos caótica. Cada clique ampliava a sensação de que forças ocultas guiavam decisões e tragédias. Uma pergunta permaneceu em suspenso: quem está realmente no controle?

🎯 Conspiração Kirk e Vida Pessoal

Charlie Kirk não era apenas um nome estampado em manchetes; era um jovem que transformou suas convicções em bandeiras. Filho de um empresário do setor imobiliário, cresceu em Illinois e desde cedo demonstrava uma habilidade rara para articular ideias. Aos 18 anos, fundou a Turning Point USA, organização dedicada a mobilizar estudantes em defesa de pautas como liberdade de expressão e direitos individuais. Seu carisma e energia transformaram-no em uma das vozes mais influentes de sua geração.

O Turning Point, criado por Kirk aos 18 anos, buscava espalhar ideais conservadores em instituições de ensino superior com perfil liberal nos EUA. Hoje, possui filiais em mais de 850 universidades. Kirk momentos antes de sofrer um tiro fatal na Universidade Utah Valley (Foto: Reuters).

No entanto, em 10 de setembro de 2025, sua trajetória foi interrompida de forma brutal. Durante uma palestra na Universidade do Vale de Utah, em Orem, Kirk foi alvejado diante de centenas de jovens que o viam como mentor e inspiração. A morte, súbita e pública, reverberou como um trovão, deixando seguidores em choque e críticos perplexos.

O episódio se tornou ainda mais intrigante quando, na véspera, surgiu na Amazon um livro intitulado The Shooting of Charlie Kirk, de autoria de Anastasia J. Casey. A obra descrevia com precisão desconcertante o atentado que ainda não havia acontecido. Apesar de rapidamente removido pela plataforma, o texto se espalhou em capturas de tela, alimentando a suspeita de algo maior: coincidência ou premonição deliberada?

Anastasia J. Casey chamou atenção internacional ao publicar no Kindle Direct Publishing, em 9 de setembro de 2025, o livro The Shooting of Charlie Kirk, um dia antes do assassinato do ativista conservador Charlie Kirk na Utah Valley University. A coincidência gerou especulações e debates nas redes sociais sobre a relação da autora com o evento. A Amazon removeu a publicação, mas capturas de tela do livro continuaram circulando, alimentando teorias sobre sua autenticidade e motivação.

A identidade da autora permanece um enigma. Sem registros públicos ou biográficos, Anastasia parece existir apenas na narrativa digital que antecedeu a tragédia. Especialistas lembram que o sistema de autopublicação permite que textos sejam disponibilizados em poucas horas, sem revisão editorial. Ainda assim, o mistério não deixa de reforçar a sensação de que a fronteira entre realidade e narrativa está cada vez mais difusa, transformando tragédias pessoais em combustível para teorias que ecoam nos corredores da história contemporânea.

📚 Edward Bernays – Propaganda

Em 1928, Edward Bernays lançou Propaganda, um livro que se tornaria um manual para entender — e manipular — a opinião pública. Sobrinho de Sigmund Freud, Bernays aplicou conceitos da psicanálise para revelar como desejos inconscientes podiam ser convertidos em ferramentas de persuasão coletiva.

Por meio de estratégias de venda sutis, Bernays conseguiu moldar comportamentos sociais sem que fossem notadas as manipulações. Propaganda da marca de cigarros Lucky Strike, na qual ele trabalhou para aumentar a popularidade do produto (Imagem: coleção da Stanford University).

Sua ideia central era a engenharia do consentimento. Para ele, não era suficiente apresentar informações; era preciso moldar percepções, orientar emoções e criar narrativas capazes de transformar indivíduos em participantes voluntários de decisões já planejadas. Essa manipulação consciente, defendia Bernays, era inevitável em sociedades complexas. Sem ela, dizia, reinaria o caos.

A obra oferece exemplos claros: campanhas que transformaram cigarros em símbolos de emancipação feminina, ou que persuadiram multidões a aceitar guerras como necessárias. Bernays mostrava que propaganda não era apenas política ou publicidade, mas uma força invisível presente em todos os campos da vida moderna.

Ao mesmo tempo, Propaganda lança uma advertência que permanece atual: o poder de moldar mentes pode tanto servir a causas nobres quanto perpetuar manipulações destrutivas. Hoje, ao olharmos para algoritmos de redes sociais, campanhas eleitorais digitais e manipulação informacional, percebemos como as lições de Bernays se tornaram não apenas relevantes, mas onipresentes

Seu legado provoca a reflexão: se o controle narrativo é inevitável, qual é o limite entre persuasão legítima e manipulação abusiva? Talvez, ao reler Bernays à luz dos acontecimentos atuais, possamos entender como a linha que separa informação de propaganda é mais tênue do que parece.

🔪 Caso Decarlos Brown Jr. e o Assassinato de Iryna Zarutska

Na tarde de 22 de agosto de 2025, a rotina de passageiros do metrô leve em Charlotte, Carolina do Norte, foi brutalmente interrompida. Iryna Zarutska, refugiada ucraniana de 23 anos, foi atacada a facadas por Decarlos Brown Jr., um homem de 34 anos com histórico criminal e psiquiátrico complexo.

Uma refugiada de 23 anos foi assassinada dentro de um trem em Charlotte, Carolina do Norte, em 22 de agosto. As imagens de segurança registraram o momento em que Decarlos Brown Jr., sentado atrás dela, se levantou e a atacou com uma faca, saindo em seguida. (Foto: Charlotte Area Transit System)

Relatos posteriores revelaram que Brown sofria de esquizofrenia paranoide. Segundo sua irmã, ele acreditava que havia um “material artificial” implantado em seu corpo, possivelmente um chip, e que Zarutska poderia ler sua mente. Para ele, a jovem não era apenas uma passageira; era uma ameaça invisível que precisava ser eliminada.

O caso provocou comoção não apenas pela violência, mas pelas falhas reveladas. Brown já havia sido preso diversas vezes, mas nunca recebeu tratamento psiquiátrico adequado. Foi liberado sob fiança em ocasiões anteriores, mesmo com sinais evidentes de instabilidade. A tragédia expôs as lacunas entre justiça criminal e políticas de saúde mental, levantando a questão: até que ponto a negligência institucional contribui para que delírios se transformem em crimes irreversíveis?

Embora não haja evidências de conspirações, a narrativa rapidamente se conectou a debates maiores: teorias de controle mental, memórias de projetos como o MK-Ultra e o medo coletivo de manipulação tecnológica. O delírio de Brown ecoou como metáfora de ansiedades contemporâneas — de vigilância invisível, de chips ocultos, de realidades manipuladas.

O assassinato de Zarutska não pode ser explicado apenas pela psicose de seu agressor. Ele também simboliza como sociedades falham em proteger tanto vítimas quanto doentes mentais. Mais do que um crime, foi um colapso de sistemas de cuidado, um lembrete de que negligenciar a mente humana pode resultar em tragédias que parecem maiores do que a soma de suas partes.

🧩 Ponerologia: Psicopatas no Poder

Quando Andrzej Łobaczewski publicou Ponerologia: Psicopatas no Poder, em 1984, trouxe ao debate acadêmico um conceito perturbador: a possibilidade de que regimes inteiros sejam moldados e dirigidos por indivíduos com transtornos de personalidade psicopática.

Dez anos após sua primeira edição no Brasil, Ponerologia: Psicopatas no Poder se consolida como leitura essencial em Ciência Política e Psicologia. Nesta segunda edição, o livro traz nova tradução, mais paratextos e capa atualizada. Andrzej Lobaczewski (1921-2008) analisa como indivíduos com traços psicopáticos corrompem regimes autoritários e normas sociais. (Imagem: Amazon Prime)

A obra apresenta a ideia de patocracia, um sistema onde psicopatas assumem posições de liderança, explorando crises, fragilidades sociais e desinformação para perpetuar controle. Nessa estrutura, normas éticas perdem valor, e a manipulação se torna mecanismo central de poder.

Łobaczewski também descreve a ponerogênese, processo em que o mal se infiltra gradualmente nas instituições até corromper o tecido social. Esse processo é alimentado por crises políticas, polarização e a incapacidade coletiva de reconhecer traços psicopáticos em líderes carismáticos.

O elo entre ponerologia e crimes individuais, como o de Decarlos Brown Jr., pode parecer distante à primeira vista. Mas os delírios do agressor — acreditar em chips implantados, na leitura de mentes e no controle externo — refletem, em escala micro, a mesma lógica que Łobaczewski identifica em escalas maiores: a manipulação da percepção, a distorção da realidade e a incapacidade de distinguir o real do fabricado.

Assim como uma sociedade vulnerável pode ser dominada por psicopatas, um indivíduo vulnerável pode ser dominado por delírios psicóticos. Nos dois casos, a consequência é a mesma: vidas afetadas por forças que escapam ao controle racional.

Revisitar Ponerologia à luz de eventos recentes nos lembra de que a linha entre manipulação individual e manipulação coletiva é mais tênue do que parece, e que compreender a psicopatia não é apenas tarefa clínica, mas necessidade social urgente.

🎬 Pílula Cultural – The Bourne Series & Mindhunter

A cultura popular frequentemente antecipa e dramatiza inquietações coletivas. Dois exemplos emblemáticos são The Bourne Series (2002–2016) e Mindhunter (2017–2019).

Estados Unidos, 1977. Os agentes do FBI Holden Ford (Jonathan Groff) e Bill Tench (Hold McCallany) iniciam a primeira pesquisa do país sobre a mente de assassinos, precisando conquistar a confiança dos detentos e enfrentar diversos desafios. A narrativa também revela momentos da vida pessoal dos protagonistas, incluindo Wendy Carr (Anna Torv), psicóloga comportamental que se torna consultora do FBI. (Imagem: Divulgação)

Em The Bourne Series, acompanhamos Jason Bourne, interpretado por Matt Damon, um agente que sofre amnésia após passar por experimentos clandestinos de manipulação psicológica. O enredo explora memórias fragmentadas, identidades reconstruídas e o peso de ser transformado em arma humana. Ainda que ficcional, a narrativa evoca ecos do projeto MK-Ultra, em que a CIA testou drogas e técnicas de controle mental em voluntários e prisioneiros. Bourne é a representação simbólica de como instituições podem moldar e apagar identidades para fins estratégicos, levantando dilemas éticos que ecoam até hoje.

Mindhunter, ambientada nos anos 1970, segue agentes do FBI que criaram o estudo de perfis criminais ao entrevistar assassinos em série. A série mergulha nas mentes de criminosos que manipulam, seduzem e desafiam normas sociais. O foco não é apenas o crime, mas o poder psicológico que indivíduos com transtornos podem exercer sobre ambientes inteiros. É uma aula sobre como psicopatia e manipulação operam de forma invisível, mas devastadora.

Ambas as produções dialogam diretamente com os temas discutidos: Bourne mostra o controle mental imposto de fora; Mindhunter mostra o controle que emerge de dentro. Em conjunto, revelam que a manipulação — seja institucional ou individual — continua a assombrar a imaginação coletiva. Mais do que entretenimento, são espelhos culturais de medos profundos: o de perdermos a autonomia sobre nossas mentes e nossas escolhas.

Olhando para essas histórias — reais e ficcionais — uma sensação incômoda se impõe: nossas escolhas são tão livres quanto acreditamos? O assassinato de Charlie Kirk, envolto em coincidências literárias; o delírio de Decarlos Brown Jr., refletindo ansiedades de controle invisível; e as teorias de Łobaczewski sobre psicopatas no poder parecem costurar um mesmo tecido: o da vulnerabilidade humana diante da manipulação.

Edward Bernays já havia antecipado que a opinião pública seria guiada por mãos invisíveis. Filmes e séries continuam a dramatizar esse medo. Entre realidade e ficção, o fio condutor é claro: somos mais influenciados do que admitimos.

A pergunta, então, não é se estamos sendo manipulados, mas até que ponto percebemos os fios que movem nossos pensamentos. E, sobretudo: estamos dispostos a cortá-los?

📬 Gostou dessa análise provocadora?

Assine o Conspira Café e receba conteúdos assim direto no seu e-mail.
Toda semana, curadoria inteligente sobre cultura, poder e conspirações — com dados, reflexão e coragem crítica.

Where Accomplished Wealth Builders Connect, Learn & Grow

Long Angle is a private, vetted community for high-net-worth entrepreneurs and executives. No fees, no pitches—just real peers navigating wealth at your level. Inside, you’ll find:

  • Self-made professionals, 30–55, $5M–$100M net worth

  • Confidential conversations, peer advisory groups, live meetups

  • Institutional-grade investments, $100M+ deployed annually

Reply

Avatar

or to participate

Continue lendo