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Imagem gerada por IA.

A notícia surgiu como tantas outras notícias do século XXI: primeiro nos bastidores, depois nos corredores diplomáticos e, por fim, nas manchetes. Mas havia algo diferente naquela palavra que atravessava fronteiras mais rápido do que qualquer carregamento clandestino.

Terrorismo.

Durante décadas, ela esteve associada a atentados internacionais, células extremistas e guerras travadas em desertos distantes. Era um conceito que habitava relatórios de inteligência, discursos presidenciais e operações militares. Poucos imaginavam que um dia seria utilizada para descrever organizações nascidas dentro do sistema prisional brasileiro.

Então veio maio de 2026.

Um comunicado assinado pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, colocou PCC e Comando Vermelho dentro da mesma discussão global que, durante anos, envolveu Al-Qaeda, Estado Islâmico e outros grupos considerados ameaças transnacionais.

A reação foi imediata. Washington falava em segurança regional. Brasília falava em soberania. Especialistas discutiam definições jurídicas. Analistas enxergavam implicações geopolíticas.

Talvez a verdadeira história não estivesse apenas nas facções.

Talvez estivesse na mudança silenciosa do próprio significado da palavra terrorismo.

💣 A Guerra ao Terror Chegou ao Brasil?

Durante mais de duas décadas, a chamada Guerra ao Terror foi associada a cenários relativamente previsíveis. O debate girava em torno de organizações como Al-Qaeda, Estado Islâmico e outros grupos movidos por agendas ideológicas, religiosas ou políticas. A partir dos atentados de 11 de setembro, governos ocidentais passaram a construir uma arquitetura global de sanções, monitoramento financeiro e cooperação internacional voltada para esse tipo de ameaça. Em maio de 2026, porém, um anúncio vindo de Washington sugeriu que essa definição talvez estivesse mudando.

Primeiro vieram os relatórios. Depois as reuniões diplomáticas. Em seguida, o anúncio oficial. Quando Washington colocou facções brasileiras dentro de uma categoria historicamente associada ao terrorismo, abriu-se um debate que ultrapassa fronteiras, governos e definições jurídicas tradicionais. 📸 Arte/Metrópoles

O comunicado foi assinado por Marco Rubio, secretário de Estado dos Estados Unidos. Nele, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) foram classificados como “Terroristas Globais Especialmente Designados”, uma categoria que permite congelamento de ativos, restrições financeiras e ampliação de mecanismos de cooperação internacional. O documento afirmava que ambas as organizações comandavam redes criminosas capazes de operar para além das fronteiras brasileiras, influenciando mercados ilícitos e cadeias logísticas que alcançam diferentes regiões do continente.

A decisão não surgiu do nada. Reportagens da BBC News Brasil revelaram que o tema vinha sendo discutido por autoridades americanas desde 2025. Assessores do Departamento de Estado visitaram o Brasil, conversaram com promotores especializados em crime organizado e analisaram relatórios produzidos por agências de inteligência. Em março de 2026, surgiram informações de que Washington estudava medidas mais duras contra organizações criminosas latino-americanas consideradas ameaças transnacionais. Nos bastidores diplomáticos, o governo brasileiro tentava impedir uma classificação que considerava juridicamente inadequada e politicamente sensível.

A reação de Brasília foi imediata. Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o país não aceitaria ser tratado como “republiqueta” e reiterou que a legislação brasileira diferencia terrorismo de crime organizado. O Ministério da Justiça reforçou o argumento de que PCC e CV possuem motivações essencialmente econômicas, ligadas ao tráfico de drogas, armas e lavagem de dinheiro. Para o governo brasileiro, a violência produzida por essas facções é inegável, mas sua natureza jurídica permanece distinta daquela tradicionalmente associada ao terrorismo internacional.

É justamente nessa fronteira conceitual que o debate se torna mais complexo. Pesquisadores como Bruce Hoffman e Martha Crenshaw defendem que a motivação política continua sendo um elemento central para caracterizar o terrorismo. Ao mesmo tempo, centros de pesquisa como CSIS, Lawfare e Baker Institute observam que organizações criminosas contemporâneas passaram a exercer funções historicamente associadas a movimentos insurgentes: controlam territórios, desafiam governos, impõem regras paralelas e movimentam recursos em escala global. A questão que emerge dessa disputa não diz respeito apenas ao PCC ou ao Comando Vermelho. Ela aponta para uma transformação mais ampla: o terrorismo continua sendo definido pelas intenções de seus autores ou pela capacidade real de produzir impacto estratégico sobre sociedades inteiras?

🚨 Como Duas Facções Brasileiras Viraram um Problema Global?

Para compreender por que PCC e Comando Vermelho passaram a aparecer em relatórios internacionais de segurança, é preciso voltar algumas décadas no tempo. O Comando Vermelho surgiu no final dos anos 1970 dentro do Instituto Penal Cândido Mendes, na Ilha Grande, Rio de Janeiro. Ali, presos comuns e militantes políticos dividiram o mesmo espaço carcerário durante os anos finais da ditadura militar. Embora pesquisadores debatam até hoje a influência exata dessa convivência, o fato é que daquele ambiente nasceu uma organização baseada em disciplina interna, proteção mútua e lealdade entre seus integrantes. O que começou como uma estrutura prisional acabaria se transformando em uma das principais forças do narcotráfico brasileiro.

Quando surgiram dentro do sistema prisional brasileiro, poucos imaginavam que aquelas estruturas ultrapassariam os muros das penitenciárias. Décadas depois, PCC e Comando Vermelho deixariam de ser apenas personagens da crônica policial para ocupar espaço em discussões sobre crime transnacional, segurança regional e geopolítica. 📸 Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital/Reprodução

O PCC nasceu em circunstâncias diferentes. Fundado em 1993, poucos meses após o Massacre do Carandiru, o grupo surgiu dentro do sistema penitenciário paulista com um discurso de proteção aos detentos contra abusos e arbitrariedades. Ao longo das décadas seguintes, porém, a organização desenvolveu uma estrutura que chamou a atenção de pesquisadores como Gabriel Feltran e Camila Dias. Em vez de funcionar apenas como uma facção tradicional, o PCC passou a operar como uma rede capaz de coordenar mercados ilícitos, resolver conflitos internos, estabelecer regras de convivência e expandir sua influência para além dos muros das prisões.

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